31 de agosto de 2006

Vôo


A mais de alguns poucos quilômetros por hora, a mais de 19 dias, entre a divisa que separa as duas fases da biosfera, mais no ar que na água, levantando um spray de gotas estarei ofuscando a sua visão.

Sem proteção, de peito aberto, gritando em silêncio, estarei te protegendo e ao mesmo tempo complicando o caminho da sua vida, eu que sempre estou um passo à frente de você, eu que sempre vejo como será seu futuro.

Cada vez que me distancio estendo a mão para te puxar para meu lado, mas sempre você tropeça no vácuo, se distrai com a paisagem, e muitas vezes você mergulha se esquecendo que não sabe nadar, então tenho que parar e voltar para te salvar.

E te ensino novamente que o chão só serve de impulso para o vôo, mas você insiste em querer andar, mesmo onde não existe mais chão você quer tentar andar, e nessas horas tenho que te segurar, você não sabe o quanto pesa às vezes.

Mas por mais que você me atrapalhe eu até gosto de te salvar, aliás, eu não consigo mais viver sem fazer isto, faz parte de mim agora. É como se fosse uma voz de esperança que diz que algum dia você vai aprender e conseguir voar ao meu lado.

Mas, se no final de tudo você não conseguir voar, eu vou me despir de todo o meu orgulho e caminhar atrás de você, aí então você terá o trabalho de me ensinar, será que você estará disposta a fazer isso por mim? Ou a vida é muito curta para você perder seu precioso tempo?

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